sexta-feira, 12 de junho de 2009

A princesinha que descascava maçãs


“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças”

Eclesiastes 9:10


A princesinha que descascava maçãs

Era uma vez uma princesinha que descascava maçãs enquanto a cozinheira descansava com os pés dentro de um balde com água quente e esfregava as mãos cansadas, com óleo de avelãs.

- Essa princesinha chamada Ester tinha que descascar maçãs?

- Não! Mas descascava…

- Porquê?

- Porque se importava.

- Com o quê?

- Com a cozinheira que estava cansada.

- Porquê?

- Porque muito trabalhava.

- Para quê?

- Para servir comidinha à princesinha e a toda a gente que vivia no castelo.

- Quando é que ela começou a descascar maçãs?

- Um dia quando o papá partiu para a guerra.

- Porque é que o pai partiu para a guerra?

- Para defender o reino dos inimigos malvados que podiam magoar o seu povo.

- Porque o dever de um rei é proteger o seu povo.

- Sim! Esse é o seu trabalho. E a princesinha compreendia isso muito bem! Por isso quando o pai foi para a guerra ficou a pensar o que podia fazer ela, ali onde ficara porque era pequena e frágil, para ajudar.

- E é por isso que ela descasca maçãs?

- Sim. Ela pensou, pensou, pensou… mas n foi logo que lhe ocorreu na cozinha trabalhar. Primeiro teve que aprender que todo o trabalho tem o mesmo valor. Seja bordar ou cantar, seja cozinhar ou limpar.

- Como foi que aprendeu isso?

- Bem, um dia quando tinha fome foi à cozinha pedir tarte de maçã com mel para lanchar. Mas quando lá chegou nada havia para papar.

- Porquê?

- A cozinheira estava doente.

- Que tinha ela?

- Febre e dores de barriga.

- Mais ninguém sabia cozinhar?

- Naquele castelo só havia uma cozinheira real.

- E não se podia chamar outra pessoa?

- Todos tinham um qualquer trabalho para fazer, ninguém podia deixar os seus deveres para ir para a cozinha trabalhar.

- E o que fez a princesa? Ela tinha fome…

- Perguntou à cozinheira se lhe podia fazer o lanche. Mas a cozinheira quase nem tinha forças para falar. Estava sentada a um canto da cozinha toda encolhida a suar.

- E o que fez a princesa?

- O que achas que ela fez?

- Não sei… Chorou porque tinha fome?

- Não. Só fez beicinho. Depois decidiu que ela própria iria cozinhar, o que foi uma coisa muito engraçada de se ver. Numa tigela misturou ovos inteiros com farinha, açúcar, leite, maçãs inteiras, óleo e mais um montão de outras coisas. Ia a meter tudo no formo quando escorregou e caiu. A mistura voou e estatelou-se nas paredes no chão e no fogão. As luvas foram parar ao pé do forno e começaram a arder. Num instante aquela cozinha se transformou num cenário de loucura, gritaria e muito tropeção. Porque tudo estava pegajoso e tudo fazia escorregar. Quem lá entrava caía de rabo no chão e já não se conseguia levantar. No fim, a cozinha estava irreconhecível e Ester também - ficou coberta de uma coisa tão esquisita que nem sei identificar. Era uma mistela verde e amarela, pegajosa e mal cheirosa que custava a tirar.

- Yuck!

- Muito yuck, mesmo! – Mais pessoas chegaram para acudir. Todas juntas conseguiram acabar com a loucura que se instalara no ar. Apagaram o fogo, limparam a cozinha e a ama deu banho à menina. Um banho demorado… o cabelo teve que ser muitas vezes esfregado para voltar a brilhar como o cabelo de uma princesa deve estar.

- E depois?

- Um médico tratou da cozinheira que ficou boa num instante e lá foi fazer a tarte que a princesa desastrada tentara fazer.

- E como foi que a princesa começou a descascar maçãs?

- A cozinheira foi vê-la e agradeceu-lhe a ajuda, apesar de não ter dado bom resultado, tinha sido com boa intenção. A menina ficou comovida e soube-lhe tão bem aquele agradecimento que decidiu que ia aprender a cozinhar. Então todas as tardes depois dos seus deveres reais de princesa, Ester ia ter à cozinha onde a sua nova amiga lhe dava as lições de como fazer deliciosas refeições. E a primeira coisa que ela aprendeu foi a descascar maçãs. Porque uma tarte de maças não se faz sem esta fruta e nela não se podem pôr maçãs inteiras e com casca.

- E a princesinha gostava?

- Ora, gostava pois! Porque enquanto trabalhava a sua amiga cozinheira descansava um bocadinho e assim não adoecia. Com uma cozinheira saudável o castelo não passava fome incluindo a princesinha Ester. E sabes uma coisa?

- Conta, conta!

- Quando o pai voltou, Ester fez-lhe uma surpresa. Preparou-lhe sozinha uma tarde que depois lhe serviu.

- O pai gostou?

- Achou delicioso! E ficou super orgulhoso da sua pequena.

- E depois?

- Viveram felizes para sempre com muita tarte de maçã na ementa!

Magna Santos

12 De Junho de 2009

Provérbio:

  • “A homem agradecido, todo o bem é devido.”
  • “Ajuda-me que eu te ajudarei.”
  • “ Onde todos ajudam, nada custa.”
  • “Nunca é tarde para aprender.”
  • “A desmanchar e a fazer é que se chega a aprender.”
  • “ Faz bem, não olhes a quem.”
  • “A verdadeira caridade começa em casa.”
  • “A verdadeira caridade não é dar um peixe, mas ensinar a pescar.”
  • “Come e bebe bem, quem bem trabalha.”

Adivinha:

Qual é a pessoa que não faz senão comer?

R: Cozinheiro (a)

terça-feira, 12 de maio de 2009

Cadeia alimentar


Nota: Escrevi esta historia no âmbito da disciplina de expressão musical para uso futuro em aulas de musica para crianças. É uma boa forma (na teoria) de introduzir  as figuras musicais. Apresenta um fundo moral sobre o qual se pode falar com as crianças que normalmente não sabem o que é ter paciência. Tem também noções de ciências naturais a respeito da cadeia alimentar. 

É uma espécie de rapsódia. ^^ 


Cadeia alimentar


O dia raiou na floresta dos ritmos

Bem cedo pela manhã.

A colcheia, toda entusiasmada

Nem quis esperar pela irmã.

Sua sorte foi a outra conhecê-la muito bem

A tal ponto que sabia que a pequena estaria além.

Além foi ter com ela,

Além as duas brincaram,

Até que o sol se pôs

Na clareira ficaram.

 

Este quadro colorido, de tons verdes pincelado,

Tons escuros ganhou.

Ficando escuro todo o céu,

A semínima voou.

Voou porque era hora de caçar

De caçar, pois!

Algo suculento para o jantar.

 

Pobres colcheias que com as horas se descuidaram

Agora, encolhiam-se de medo quando delas se lembraram.

“Pobre mamã, pobre papá

Que a nossa faltam sentirão

E por dois compassos inteiros

A nossa perda chorarão.”

 

Tentaram então fugir

Não tendo outra opção

Tentando chegar a casa sãs e salvas

Pedindo, ao papá e à mamã, o seu perdão.

 

A semínima por ali voava,

Cheirando-lhes a aflição

Pensava contente: “É desta!

É desta que vou encher a barriga com uma bela refeição!”

E foi assim que se findou num só tempo

A vida de duas colcheias descuidadas

Que costumavam correr o bosque

Sempre alegres, de mãos dadas.

 

Ora, a semínima satisfeita

E de barriga cheia foi-se deitar

Tentando o peso da barriga aliviar.

Pobre coitada não sabia, porém,

Que ali no escuro lhe esperava alguém:

Uma mínima esfomeada

Que procurava cear…

Saltou logo para cima dela

Sem duas vezes pensar.

 

Por sorte!... ou azar!...

Seu marido chegou para a salvar.

Sorte de ambos que tinham enchido a pança.

Azar, porque de barriga cheia não conseguiam lutar.

 

Em dois tempos a luta terminou e a mínima descansou,

Mas toda aquela luta enjoada deixou.

Resmungou aborrecida: “Comi a dobrar!...

Mas com tanta guerra não consegui a comida saborear!”

 

Foi até à rua para se puder estender

Depois de com tanta comida a boca encher.

Tentava aliviar, inutilmente, desesperada

A azia incómoda, malvada!!

“Por pouco o jantar não vomitava…”

 

Estava assim, pensando

Nas suas dores

Que lhe provocavam grandes calores,

Descuidada, suada, doente e pesada,

Sem nada mais conseguir pensar…

Quando foi à armadilha da semibreve parar.  

 

Cansada, maldisposta: pesada da ceia

Não tinha forças para fugir.

Desta forma foi sem nada poder fazer

Ao caldeirão cair.

 

Não foi a única descuidada

A ter o mesmo triste fim

Outra mínima ali se especada se encontrava

Como ela esperava, assim.

 

Sentir-se-ia melhor, decerto!

Por não ser a única tonta que enfim…

Tinha pensado mais na sua barriga

Esquecendo-se de sim

Não lhe esperasse, tão triste fim.

 

No topo da cadeia alimentar

Estava a semibreve vagarosa…

Que de tanto comer estava gorda e redonda e viçosa!

Burra não era! Pois soube-se precaver

Nunca ia atrás de comida

Sem uma armadilha fazer.

Ia depois, nas horas seguras, em quatro tempos,

Buscar a sua porção,

Não havendo quem conseguisse

Deitar-lhe a mão.

 

Assim comia, sem se preocupar

Comendo tudo o que pudesse na boca enfiar:

Por vezes duas belas e gordas mínimas

Que a deixavam satisfeita o resto do dia…

Outras vezes por quatro seminimas tinha que procurar.

Nos dias de festa,

Fazia contas de cabeça

A cada convidado, oito colcheias servia,

Sendo necessário durante mais tempo caçar.

 

Era assim que vivia a semibreve

Sem pressa de a barriga encher.

Andava devagar, era bem verdade!

Porém, aprendera com a idade

Que assim devagar conseguia, mais que todos saborear

O raiar de mais um dia

E também mais um jantar.

 

 

Escrito por: Magna Santos, 22 de Abril de 2009 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

E o que fez o André?!


“Vocês são a luz do mundo. Uma cidade construída no topo de um monte, toda a gente vê. Não se acende um candeeiro para se pôr dentro do armário. Não ocultem a vossa luz; deixem que ela brilhe diante de todos.”
Mateus 5:14, 15








E o que fez o André?!


Todos nós sabemos que os monstros não existem.
Bem, o meu amigo André também sabia e na escola às vezes até se fazia de fanfarrão dizendo: “Eu não tenho medo de nada!”, mas por vezes, em noites frias de Inverno, acontecia o André esquecer-se de que não tinha medo de nada e de que os monstros não existem.


E o que fez o André numa dessas noites em que o vento a assobiar o deixou assustado?

Escondeu-se debaixo dos cobertores?



NÃO!!!



Levantou-se com coragem e foi ligar a luz. “Os monstros têm medo de luz!”, lembrou-se. Depois, como ainda tinha um bocadinho de medo, pegou num livro para se distrair.
Ainda não tinha chegado ao fim da primeira página quando a mamã entrou no quarto para o aconchegar.


“Que fazes tu a estas horas?”, perguntou. “Já devias estar a dormir!”
“ Estava a ler.”, Respondeu na esperança que a mãe não se aborrecesse mais com ele.
“Mas agora são horas é de dormir e é isso que vais fazer porque amanhã é dia de escola e tu tens que te levantar muito cedo.”



Quem de vocês é que nunca ouviu esta conversa??!



E dizendo isto, pegou no livro que o André ainda segurava, colocou-o na prateleira, muito arrumadinho ao pé dos outros livros. Depois, sem se deixar derreter pelos olhinhos de suplica do André,

Quem de vocês nunca experimentou esta técnica??!

aconchegou-o, apagou a luz, cantou um “Boa noite pequenino!” e fechou a porta.
A princípio, o André, aborrecido com a mãe não se lembrava dos monstros, mas depois quando o vento assobiou, arrepiou-se de medo.

E o que fez o André quando se arrepiou com medo??

Fez xixi na cama por estar assustado?





NÃO!!!





Levantou-se com coragem e foi pé ante pé à casa de banho fazer o xixi todo antes que o pudesse fazer na cama sem querer.
Quando voltou ao quarto, fechou a porta sem fazer barulho. Não queria que a mãe soubesse que ainda não estava a dormir.

E depois?

Depois, deixou a luz acesa e pegou novamente num livro e sentou-se na cama a ler.
Os olhos já lhe pesavam de sono quando o papá entrou no quarto. Como a mamã, o papá também não ficou muito contente por o saber acordado.
“André, que fazes a pé.”, Perguntou num tom que significava sarilhos.





“Ora…”, resmungou para si. “Não estou a pé, estou sentado!”





“Não tinha sono, por isso, decidi ir ler um bocadinho. ”, Mentiu. Não podia dar parte fraca e dizer que estava com medo. Se o dissesse, o monstro que estava no armário e que o André não se lembrava que não existia, ouviria também.
Nunca se diz a um inimigo que se tem medo dele! É a regra número 2, contra monstros que não existem, que o André segue em noites assustadoras como aquela.


“Se não tinhas, agora já tens. Os teus olhinhos mal se aguentam abertos e não paras de bocejar. “, Afirmou o pai.
O André ainda tentou a técnica dos olhos suplicantes, mas tal como a mamã, o papá não se deixou influenciar e tal como a mamã arrumou o livro, aconchegou-lhe a roupa da cama, deu-lhe um beijo na testa, sussurrou um “Boa noite valentão!”, apagou a luz e fechou a porta.
Tinha tanto sono que mais uma vez se esqueceu dos monstros, apenas até ouvir a janela ranger.


E o que fez o André quando ouviu a janela ranger???

Não tinha xixi para fazer, por isso não molhou a cama. Enrolou-se muito bem enrolado debaixo dos cobertores. E depois lembrou-se… Regra número1: “Não se mostra medo quando se sente medo.” Então, com muito esforço, porque é preciso coragem, lá esticou as perninhas como se estivesse a dormir sossegado.
Mas dormia????



NÃO!!!




Só fingia dormir. Do sono não havia sinal. Fugiu de medo como fugiria o André se não fosse tão corajoso.

“E agora… o que faço?”, questionou-se. “Não posso ler para me distrair… nem posso acender a luz…”. De repente lembrou-se: “Os monstros tem medo de luz!”

E o que fez o André quando de repente se lembrou de que os monstros têm medo da luz????

Acendeu a luz?








NÃO!!!



Não queria aborrecer os pais…
Levantou-se e procurou às apalpadelas pela lanterna que o João lhe dera na troca de um robot.

“Espero que tenha pilhas.”, Pensou. Espreitou – a lanterna tinha pilhas.
“Espero que não estejam gastas.”, Desejou. Experimentou carregar no botão – não estavam gastas. Havia luz.
“Eh, eh, eh!”, riu baixinho. “Vou fazer os monstros terem mais medo que eu!”
Sentia-se incrivelmente corajoso e cheio de coragem ao roupeiro se dirigiu. A cada passo que dava, no entanto, menos corajoso se sentia e tal como o sono, a coragem parecia querer fugir… Era difícil mas prosseguiu. “Um passo de cada vez.”, ia dizendo de si para consigo.
Pôs a mão no puxador da porta do roupeiro. “É agora!!”, Exclamou e nem para pensar parou; respirou fundo, fechou os olhos, abriu a porta, atirou com a lanterna para dentro do armário, fechou a porta, respirou fundo e abriu os olhos. Tudo isto em pouco mais que 2 segundos.
Ás cegas voltou para a cama e ás cegas na cama se deito. Aconchegou os lençóis meio desajeitado e pensou: “Agora sim, agora vou conseguir dormir descansado.” E suspirou…

E o que fez o André depois de suspirar?????

Adormeceu?




NÃO!!!

O pobre garoto não conseguia dormir, só pensava. “ Será que a lanterna se apagou?”. É que, com a porta do roupeiro fechada, a luz não se via. O André não tinha como saber se ainda estava acesa.
E o que fez o André que continuava ás escuras??????

Foi abrir a porta do roupeiro para ver?



NÃO!!!

Sentia demasiado medo….

Ficou encolhido na cama?



NÃO!!!


Encheu-se de coragem, deu um salto bem grande de debaixo dos lençóis e correu a ligar a luz.
Logo que o quarto ficou iluminado sentiu-se mais descansado e o coração acelerado acalmou. “De que me serve uma luz que não consigo ver?”, pensou. “Pode assustar os monstros, mas não me tira o medo a mim.”.

Pela terceira vez naquela noite, à prateleira dos livros se dirigiu. Pela terceira vez naquela noite um livro escolheu. Um de heróis como ele, chamava-se “David e Golias”. Levou-o nos braços para a cama, deitou-se tapadinho porque sentia frio, abriu o livro em cima do peito e…
E o que fez o André deitadinho na cama e de livro aberto??????? Leu?



NÃO!!!

Adormeceu!!!




23 de Fevereiro de 2009
(CB de Carnaval)Magna Santos